Introdução
O homem primitivo, já praticava uma contabilidade rudimentar ao contar seus instrumentos de caça e pesca e seus rebanhos, mas foi na Mesopotâmia, região situado entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque, que foi encontrado os primeiros registros patrimoniais. A história da contabilidade está ligada às primeiras necessidades sociais de proteção de suas posses e de interpretação dos fatos ocorridos com o objeto material de que o homem sempre dispôs para alcançar os fins propostos.
No mundo globalizado, a contabilidade se encontra em uma constante evolução, em aspectos econômicos, social, político e tecnológico. Sabemos que a contabilidade é vista como um instrumento de gestão tanto gerencial como financeira, daí a importância de conciliar os fatores econômicos e sociais que são fundamentais e indispensáveis para que as organizações possam existir e atingir a sua missão previamente estabelecida.
Usando recursos do conhecimento na contabilidade como: o goodwill ou patrimônio da marca, que integra os ativos intangíveis das organizações e a diferença entre valor de mercado e valor contábil.
E para esclarecer melhor a contabilidade, temos que compreender o seu objetivo que é de estudar, registrar e controlar patrimônios e as mutações que nele ocorrem, para demonstrar o resultado obtido e a situação econômico–financeira da organização.
História
A história da contabilidade na verdade começou em meados do milênio-IV aC na Suméria, entre os rios Tigre e Eufrates, onde encontraram a primeira evidência escrita do inventário em tabuletas de argila gravada com pictogramas (desenhos figurativos), a história da contabilidade é tão antiga quanto a própria história da civilização, precede a invenção da escrita. Ao deixar a caça, o homem voltou-se à organização da agricultura e do pastoreio. A organização econômica acerca do direito do uso do solo acarretou em divisões, rompendo a vida comunitária, surgindo o senso de propriedade. Assim, cada pessoa criava sua riqueza individual. Ao morrer, o legado deixado por esta pessoa não era dissolvido, mas passado como herança aos filhos ou parentes. A herança recebida dos pais denominou-se patrimônio.
Centenas de anos mais tarde, os egípcios seguiram um caminho semelhante ao dos sumérios. A Contabilidade foi o domínio dos escribas. Inicialmente, apenas o meio de escrita era diferente: o papiro, mais leve e mais manobrável que os tabletes de argila, também eram mais sensíveis a danos. Mas os escribas foram capazes de mudar as técnicas de contabilidade ao longo do tempo. Isto é especialmente aqueles que inventaram o primeiro método de "contas para separar colunas”. Mais tarde, os egípcios do período helenístico poderiam salvar receitas, rendas e despesas, mas também mostraram que sabiam falsificar contas ou fazer registros fictícios para corrigir algumas situações ruins.
A Contabilidade Grega era também altamente desenvolvida como oferendas aos deuses, tiveram que ser gravado em placas de mármore ou calcário. Além de sua função religiosa, a contabilidade foi, naturalmente, na Grécia, como noutros, uma função econômica
A Civilização Latina por sua vez, foram os primeiros que começaram a mecanizar o cálculo utilizando o ábaco, que consiste em uma tabela que tem sulcos paralelos múltiplos, que contém níveis de valores, em que pode-se arrastar pequenas pedras .
A queda do Império Romano marcou o início de um período de declínio do comércio. O volume de negócios diminui significativamente, e as empresas entraram em colapso, exigindo ainda mais o uso da contabilidade.
A História da Contabilidade pode ser dividida em quatro períodos:
· História Antiga ou da Contabilidade empírica – O estudo dos registros existia de forma rudimentar, informava a quantia de bens;
· História Média ou de Sistematização da Contabilidade - Publicação de métodos das partidas dobradas por Luca Pacioli;
· História Moderna ou da literatura da Contabilidade - Divulgação de livros de processo de registros;
· História Contemporânea - Estudo do conhecimento.
A partir do final do século XIV, estudiosos, intelectuais e matemáticos elaboraram técnicas de Contabilidade, como Luca Pacioli.
Luca Pacioli foi um filho de um artesão, colocado em uma loja de vinho muito jovem, onde aprendeu o ofício. Em seguida, prosseguiu no estudo da matemática. Em 1490, ele publicou uma obra importante, a "Summa de Aritmetica Geometria Proportioni et Proprogionalitá." Este livro, que pode ser traduzido como "Tratado de aritmética, geometria, proporções e da proporcionalidade"
Na área contábil, Luca Pacioli expõe de forma simples e compreensível, todos os detalhes do "método de Veneza", que segundo ele implicava a utilização de três livros de contabilidade: o memorial, o jornal e a razão. Luca Pacioli, explica a preparação e realização desses livros, como abrir e fechar (de preferência anualmente), como para corrigir os erros, mostrar formas de obter o equilíbrio, gravar o lucro ou o déficit e dicas de como manter os arquivos preservados.
Com o passar dos anos, a contabilidade foi sendo mais estudada e mais aperfeiçoada e finalmente, depois dos anos 60, a Contabilidade começou a ser informatizada, com computadores Bull Gamma 60 e IBM 1410, que essencialmente utilizava os arquivos em lote (cartões perfurados, fitas magnéticas), respeitando a lógica de processamento manual.
A Evolução
A evolução do conhecimento contábil em função das mudanças na sociedade foi elaborada com base na identificação e associação exigida de cada fase da contabilidade.
· Sociedade Primitiva: Agricultura e Pecuária – Restrita a pequenos grupos (inventario periódico).
· Sociedade Agrícola: Agricultura, produção artesanal, comércio marítimo e as sociedades comanditas (investimentos contabilizados no inicio das expedições e após venda das mercadorias para atender ás necessidades dos sócios e do Estado para controle de impostos).
· Sociedade Industrial: Economia baseada capital e no trabalho, formação de grandes empresas na área industrial e na prestação de serviços, obrigatoriedade de pagamentos de impostos para pessoas físicas e jurídicas, as duas grandes guerras mundiais (sistemas de informações contábeis e gerenciais, separação dos custos da produção, realização do orçamento governamental e primeiro trabalho sistemático abordando goodwill).
· Sociedade do Conhecimento: Economia globalizada, informatização da produção e do trabalho, tecnologia da informação e telecomunicações.
Em virtude das alterações ocorridas no cenário mundial através dos tempos, a contabilidade começou para atender ás necessidades de informações individuais do dono do negócio de pequenos grupos num ambiente econômico em que a prática comercial imperava. Era baseada na agricultura, desenvolvendo novas formas de buscar melhores resultados.
As sociedades denominadas de Comandita possuíam sócios financistas e sócios que entravam com o engenho e trabalho, aumentando a importância de apuração e evidenciação dos resultados obtidos nas transações.
A época do desenvolvimento de trabalhos escritos sobre a contabilidade foi a formalização do conhecimento, a literatura contábil desenvolvida consistia apenas de tradução e de adaptação da relevante obra de Luca Pacioli.
Os primeiros resultados da passagem de uma economia artesanal e manufatureira para a produção industrial e mecanizada foi o tamanho das empresas e necessidades de capital físico e financeiro. A necessidade do conhecimento contábil aumentou com a responsabilidade do contador para melhor atender os acionistas e gerentes das indústrias, levando ao longo período de produção, impulsionando á contabilidade de custos e a segregação da contabilidade financeira.
A contabilidade passa a ser contabilidade financeira para fins externos e contabilidade gerencial para fins internos.
Em 1891, o primeiro trabalho realizado por Francis More sintetiza alguns dos pensamentos da época sobre o Goodwill.
A administração científica de Taylor e seus sucessores na contabilidade tornaram – se conseqüência principal na valorização da contabilidade gerencial, assumindo importante papel na mensuração dos custos, dos produtos e do desempenho gerencial.
A aplicação de métodos matemáticos e estatísticos na investigação de fenômenos contábeis e a especialização do contador, que passou a exercer sua função de forma separada das demais funções dentro das organizações.
Á aplicação da informática, a partir dos anos 50 deu suporte para que a contabilidade se transformasse no que é hoje, visando da melhor maneira possível, atender a seus usuários.
Na sociedade do conhecimento a contabilidade se encontra em busca das melhores formas de se adaptar ás mudanças ocorridas.
A globalização dos mercados repercutiu na contabilidade, primeiro tornando-se urgente a padronização das normas internacionais de contabilidade, possibilitando assim o entendimento nas transações realizadas pela empresas mundialmente de forma mais simples e ágil, segundo e como conseqüência do primeiro aumentando a variedade de usuários das informações.
O Gestor do Sistema e a Qualidade da Informação
Um dos recursos principais da contabilidade é o recurso humano, pois é quem desenvolve e processa os dados gerando informação, esse recurso é denominado como Contador.
Detém todas as informações acerca da situação da empresa, para assim passar de forma concisa e coerente ao gestor responsável para uma tomada de decisão.
É de suma importância que este profissional contábil saiba de forma consciente sua importância e das informações que por ele são administradas dentro da organização.
Visto que o objeto da contabilidade é o patrimônio, sua finalidade, segundo Franco (1976 p.20) “é a de assegurar o controle do patrimônio administrado e fornecer informações sobre a composição e as variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas desenvolvidas pela entidade para alcançar seus fins”.
Com isso, um desafio secular para a contabilidade, é reconhecer os ativos intangíveis. Segundo Prahalad, o ativo intangível é o ativo essencial, por estar embutida nos funcionários da empresa.
Com a evolução da tecnologia, surge o sistema informatizado, onde existem softwares (programas de computador) próprios para desenvolver esses trabalhos e assim diminuir o fluxo de papéis na empresa.
Portanto, a função sistêmica da contabilidade deve sempre estar voltada aos níveis operacionais e táticos das organizações.
Ferramentas e Paradigmas Utilizados nas Informações Contábeis.
Ao longo dos tempos, foram inúmeras as influências sobre os registros dos fatos econômico-financeiros, principalmente, em virtude das constantes e irreversíveis mudanças e exigências da economia.
Porém, reflexos da globalização, aceleraram esses processos de mudança, principalmente pelos desenvolvimentos na área de TI(Tecnologia da Informação). Que através da aplicação desses desenvolvimentos, como instrumentos facilitadores, no exercito da atividade contábil, com informações rápidas, precisas e fundamentais ao processo de gestão.
Ao longo do tempo, as gerações de contadores usaram diversos instrumentos de escrita para registrar os fatos econômico-financeiros das entidades. Alguns desses inventos, considerados os mais importantes no processo de registro e formatação das informações contábeis são:
· Máquina de Somar – 1642
· Calculadora – 1833
· Caixa registradora – 1879
· Disco rígido de computador – 1956 e
· O Instrumento mais sensacional em termos de sistema de informações, o Software de Navegação na Internet – 1994
Num mundo cada vez mais globalizado, em que as mudanças são cada vez mais constantes e questionadas, principalmente quando envolvendo novos paradigmas na gestão dos negócios, os profissionais contábeis precisarão manter-se sempre atualizados.
Necessitarão conhecer ou dominar, algumas tecnologias e conhecimentos específicos:
· Reengenharia;
· Comércio Eletrônico (e-commerce) – Internet;
· Redes Internas – Intranet;
· Gestão do Conhecimento;
· Capital Intelectual, entre outras.
Conclusão
Na atualidade, a informação vale ouro. Cada vez mais a contabilidade sente a necessidade de conhecer as nuances que perfazem o processo contábil, a fim de oferecer ao cliente um ambiente repleto de dados para uma acertada tomada de decisão, dessa visão, precisa-se avaliar e mensurar a real situação do patrimônio das entidades.
O profissional Contábil deve se preparar para viver em um mundo digital, exigindo constante atualização (up grade) pessoal; onde a contabilidade deixará de ser uma fornecedora de informações temporais, para informar em tempo real. Devendo ser tratada como um sistema de informações aberto, disponibilizando as informações de forma clara e objetiva ao processo de gestão.
A Contabilidade é importantíssima para a formação do administrador. Não se consegue administrar uma empresa sem envolver números nessa nossa situação atual. Através de estudos para uma melhor aplicação da contabilidade na empresa, a contabilidade favorece a organização um crescimento maior, resultando numa contabilidade mais dinâmica e menos rotineira. A contabilidade é instrumento de grande valor na gestão empresarial.
Hoje estamos no limiar de uma nova era, em que a base da economia não mais se sustenta no tripé: Primitiva; Agrícola; Industrial. Em todas elas as forças matrizes da economia eram: Terra, Capital e Trabalho.
Algumas características fazem do conhecimento, aspecto agregador de valor aos empreendimentos:
1. O Conhecimento é difundível e se auto-reproduz;
2. O conhecimento é substituível;
3. O conhecimento é transportável;
4. O conhecimento é compartilhável.
O conhecimento apresenta um grande desafio à classe contábil. Se compararmos a era do conhecimento com suas predecessoras, a característica mais marcante é o surgimento do capital humano, como força essencial da economia: São as pessoas qualificadas que utilizam o intelecto como fator gerador e incorporador de valor as entidades.
O desafio da contabilidade é mensurar esse ativo e demonstrá-lo como suporte ao processo de gestão e de tomada de decisões; é criar paradigmas que permitam essa mensuração do que se convencionou chamar capital intelectual.